sábado, agosto 05, 2006

Morre Meu Amor II

Hoje, enquanto choravas e me matavas, devagar devagarinho, pensava: o que é que fizemos ao nosso amor? Para onde foram aqueles dias de felicidade que julgávamos eterna, qual Renato Russo: “Sem saber que o para sempre, sempre acaba?”.. Nós pensávamos que o tínhamos enganado, lembras-te?
Enquanto me apertavas o pescoço e te via cada vez mais enevoado, relembrava Lisboa nossa e de mais ninguém. Para onde quer que fosse, ia contigo no peito. Mesmo perdida, a vaguear sem ter para onde ir.
À medida que me ias sufocando..a mim, a nós, a nós os três. A mim, a ti, ao teu filho dentro de mim, de nós... enfim, à medida que nos ias roubando o oxigénio, pedia-te desculpa, por tudo. Pelas discussões, pela mágoa, pelas vezes que te tentei enganar. Pedia desculpa meu amor, porque sabia que quando me visses morta, a mim e ao nosso filho.. porque, quando nos visses mortos te irias matar também. Genocídio por culpa de uma pessoa só. Matei-nos, matei o nosso amor... Último, último respiro...sinto-me a adormecer. Es a ultima pessoa que vejo, meu (des)amor.